Alpes Literários

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UM PASSEIO PELOS ALPES LITERÁRIOS

sábado, 13 de janeiro de 2018

Dulce Granja Carneiro - O Poema ‎

De uma autora que mal existem referências na internet – mas que, à luz das informações contidas na obra de referência, nasceu em Atibaia (SP) –, este poema detém-se em articular o ponto de vista da poetisa, mirando as palavras a partir de seu privilegiado belvedere estético.

Imersas em místico universo, as palavras, se grafadas na página, oferecem-nos os efeitos visuais de suas arestas e contornos justapostos; quando pronunciadas, surpreendem-nos pelo volume compacto da argamassa de sons que logram disparar na brisa, ressonantes, evanescentes todavia, como tudo o que existe.

J.A.R. – H.C.

Natureza Morta 11
(Lohmuller Gyuri: pintor romeno)

O Poema

Desligada e insólita
– a palavra –
me submete à sua mística.

Morto o sentido e contorno
convivo com a imprevisível
argamassa dos sons.
Quero o esvair de sombras
ouço metal de ângulos.

Despertar a absorvência
raízes de encanto e vácuo.
Surpreender a sua essência
de uma casa
ou folha.

De apelo e rua
poderá emanar tão somente
distância.

Me extinguir com ela
difícil abandono
quando boiar apenas
um rumor de nuance
ou arabesco.

E envolvida permanecer
em suas ressonâncias
de presença e vaga.

Se eu fosse uma sereia
(Jim Warren: ilustrador norte-americano)

Referência:

CARNEIRO, Dulce. O poema. In: CAMPOS, Milton de Godoy (Ed.). Antologia poética da geração de 45. 1ª série. São Paulo, SP: Clube de Poesia, 1966. p. 194-195.

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